quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Movimento contra Ricardo Teixeira chega ao Senado

Legitimado no poder há 22 anos, o presidente da CBF, 
após manifestações no Twitter e nos estádios, perde também 
parte do prestígio nos órgãos públicos brasileiros

Amanda Melo

As declarações polêmicas de Ricardo Teixeira em entrevista à Revista Piauí, no mês de julho deste ano, tiveram grande repercussão e, como consequência, uma série de manifestações contra o cartola. Nas redes sociais, o movimento “Fora, Ricardo Teixeira” obteve massivo apoio. Além disso, torcedores protestaram durante os clássicos da 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. No cenário político, o mandatário começa a perder o apoio que possuía.

Foram mais de 75 mil postagens com a hashtag #foraricardoteixeira no Twitter. Entre os apoiadores do movimento, estiveram Xico Sá, Marcelo Rubens Paiva e o jornalista Juca Kfouri, desafeto confesso de Teixeira e processado por ele mais de cinquenta vezes. Apesar do grande apoio na internet, o movimento contra Ricardo Teixera não obteve o mesmo sucesso nas ruas. As marchas realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo reuniram, juntas, pouco mais de mil manifestantes.

Nos estádios, torcedores mostraram descontentamento em relação à atuação de Ricardo Teixeira à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Comissão Organizadora Local (COL) da Copa de 2014. Com apoio das torcidas organizadas, o protesto ganhou força nos principais estádios do país em manifestação significativa durante os clássicos pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. A atitude, porém, foi reprimida pelas federações estaduais, respaldadas em uma brecha do Estatuto do Torcedor que proíbe qualquer manifestação do tipo. 


Torcida palmeirense protesta contra Ricardo Teixeira
durante clássico contra o Corinthians, no Prudentão.
(Foto: Eduardo Viana/Lancenet)

Ricardo Teixeira causa descontentamentos no Senado

O senador Demóstenes Torres, líder do DEM, publicou em seu Twitter críticas à atitude repressiva das federações estaduais em relação aos protestos. Além disso, em artigo publicado no seu site, Demóstenes cita o mandonismo da Federação Catarinense de Futebol (FCF) ao conter a manifestação de torcedores. acho meio forte

“Se permitirmos que usem o Estatuto do Torcedor para calar a torcida, logo estarão prendendo as passistas por causa dos trajes mínimos no Carnaval e os tuiteiros que colocarem a hashtag #foraricardoteixeira. Não se pode deixar que driblem a lei para golear as liberdades”, afirma o senador.

Muitos apoiam Ricardo Teixeira nos órgãos políticos brasileiros, a exemplo do senador Aécio Neves e do presidente do Senado Federal, José Sarney. Ainda assim, pequenas demonstrações de insatisfação com o cartola começam a surtir efeito. O governo federal, que durante o mandato de Lula se mostrou bastante próximo à CBF, parece ter recuado e demonstra receio em relação ao dirigente. A presidente Dilma Rousseff recusou-se a encontrar o mandatário durante o sorteio dos grupos das Eliminatórias da Copa, no Rio de Janeiro.

(Créditos: Amarildo)
Na entrevista à Piauí, Ricardo Teixeira se diz inocente frente às acusações de corrupção feitas em relação a ele e a demais dirigentes da CBF. O presidente negou, por exemplo, a acusação feita pelo jornalista Andrew Jennings, que apresentou uma lista de dirigentes da FIFA - entre eles Teixeira e João Havelange -, suspeitos de terem recebido 100 milhões de dólares da ISL, uma empresa de marketing esportivo, em troca de direitos de transmissão de campeonatos. “Eu nem era do Comitê Executivo nessa época, iam me subornar para quê?”, afirmou o cartola. Além disso, vários trechos da reportagem inferem que o presidente da CBF mantém relação estreita com a Rede Globo, justificando o motivo de matérias que o criticam não serem veiculadas pela emissora.

Entre as várias acusações que Ricardo Teixera já recebeu, estão mais de 13 pedidos de indiciamento relativos a supostos crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Todos os casos, porém, foram arquivados pelo Ministério Público por meio de manobras jurídicas.

Falta de investimentos para a Copa é uma das queixas de Teixeira

No último mês, o senador do PMDB-MG, Aécio Neves, tornou públicas queixas feitas por Ricardo Teixeira a respeito da falta de investimentos do governo federal para o Mundial de 2014. Segundo ele, o cenário descrito por Teixeira se mostra quase trágico e a decisão de Dilma de cortar ainda mais os gastos públicos é preocupante.

Em relação a questionamentos sobre atrasos nas obras dos estádios, Ricardo Teixeira garantiu na entrevista concedida à Piauí que, no que depender dele, tudo estará pronto dentro do prazo.

sábado, 17 de setembro de 2011

Nove meses, cinco ministros e um só governo

Com média de uma demissão de ministro a cada 51 dias, governo Dilma bate recorde em seu primeiro ano de mandato.
                                                                                                                           Isis Rangel

Os problemas nesse primeiro ano de governo de Dilma Rousseff parecem não ter fim. Nos primeiros nove meses de gestão, a presidente perdeu os titulares da Casa Civil, Transportes, Defesa, Agricultura e Turismo.

O primeiro a deixar o governo foi Antonio Palocci, que saiu da Casa Civil após denúncias do jornal Folha de S. Paulo de que seu patrimônio teria aumentado 20 vezes nos últimos cinco anos. No início de junho, Palocci entregou seu pedido de demissão à Dilma. Ele foi substituído pela senadora do PT, Gleisi Hoffmann.

A demissão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, já era esperada há algum tempo. Sempre que tinha a oportunidade, o ministro fazia críticas ao governo Dilma. No início de agosto, a presidente demitiu Jobim e chamou o ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula, Celso Amorim para assumir a pasta.

Em meados de junho, a presidente lidou com mais uma crise ministerial. A revista Veja revelou irregularidades na pasta de Transportes. Segundo a publicação, havia um esquema de cobrança de propinas entre empresas prestadoras de serviço envolvidas em reformas e construção de estradas. O esquema seria coordenado pelo deputado Waldemar Costa Neto, do PR. O partido arrecadaria de 4% a 5% do valor das propinas.

O diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), José Henrique Sadok de Sá foi afastado do cargo por envolvimento no esquema de propinas.


blogdoonyx.wordpress.com
O então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento e seu partido, o PR, tentaram abafar o escândalo, mas no dia 6 de julho, o jornal O Globo trouxe mais uma denúncia sobre o caso. A matéria mostrava que o patrimônio do filho do ministro aumentou 86.500% nos últimos dois anos.

Após essa denúncia, Alfredo Nascimento deixou a pasta e em seu lugar, Dilma efetivou Paulo Sérgio Passos. Ao menos 27 pessoas foram afastadas ou demitidas de seus cargos no ministério e no Dnit.

No dia 30 de julho, mais um escândalo revelado, agora no ministério da Agricultura. A revista Veja publicou uma entrevista em que Oscar Jucá Neto, ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), afirmou existir um esquema de corrupção entre PMDB e PTB para controlar o dinheiro da pasta.

Reportagem do dia 7 de agosto do jornal Folha de S. Paulo, revelou que Wagner Rossi, então ministro da Agricultura, transformou o Conab em cabide de empregos ao aumentar de 6 para 26 o número de cargos para assessores especiais.

No dia 17 de agosto, após a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar as denúncias, Wagner Rossi deixou o cargo. O PMDB indicou o deputado Mendes Ribeiro para assumir o ministério.

E foi a PF que deflagrou outro caso de corrupção no governo. A Operação Voucher investigava o esquema de desvio de verbas públicas por meio de emendas parlamentares no ministério do Turismo.

A Operação prendeu 38 pessoas, entre elas o número dois do ministério, Frederico Costa Silva que pediu demissão no dia 17 de agosto.

Após inúmeras denúncias, entre elas pagar a governanta com dinheiro público, e mais de um mês de crise, o ministro do Turismo, Pedro Novais, se demitiu na última quarta, dia 14.

Um dos resultados das crises ministeriais foi a saída do PR da base aliada por causa das demissões no ministério dos Transportes. Outro resultado foi a chamada “faxina ética” que, segundo Dilma, não é a pauta principal de seu governo.

Talvez seja verdade, já que a presidente permitiu que os ministros tentassem se manter nos cargos, como no caso de Palocci, porém, como no caso de Rossi, Dilma tomou a atitude que todos esperavam, portanto, o nos resta é esperar os próximos capítulos desta tão aguardada faxina.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lei do Cerrado freia instalação de empresas em Bauru


Autoridades públicas tentam resolver o impasse entre a adequação da Lei do Cerrado e o desenvolvimento econômico do município
Gabriel Oliveira


O Cerrado brasileiro há muito tempo convive com a ameaça da evolução urbana. O estado de São Paulo possui apenas 0,84% de área de Cerrado, o que equivale a 211 mil hectares. Diante do devastador decréscimos da área ocupada pelo bioma, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em 2009, aprovou a Lei de proteção ao Cerrado: um aparato legal que possui critérios mais rígidos do que o Código Florestal Brasileiro. Com a nova lei, as restrições no lincenciamento de áreas de Cerrado ficaram mais austeras.

A cidade de Bauru, por exemplo, possui 90% da área urbana cercada pela vegetação cerradeira, uma peculiaridade que transfere à cidade a responsabilidade de preservação dessas áreas. Função essa que parece causar atritos em discussões das autoridades públicas do município. Tudo porque, ainda na administração do prefeito Tuga Angerami, a prefeitura doou onze áreas, no Distrito Industrial II, para a instalação de empresas. Os terrenos concedidos estão cercados pela vegetação cerradeira e o desmatamento da área já foi vetado pela CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) e Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). As autoridades públicas estabeleceram dialogo a fim de resolver o eventual entrave entre a preservação florestal e o desenvolvimento econômico de Bauru. 

O prefeito e também ambientalista Rodrigo Agostinho, ressaltou a importância do debate na esfera pública para a resolução do impasse. Conforme declarou, Rodrigo considera um erro a concessão dessas áreas feitas durante a administração de Tuga Angerami, mas salientou que as áreas doadas estão extremamente devastadas: “É preciso deixar claro que essas áreas estão muito degradadas. São áreas utilizadas para a depoisção de lixo, que sofrem com incêndios.Por isso, seriam passíveis de licenciamento ambiental”.

A opinião de Rodrigo ecoa na Câmara Municipal. O vereador do PMDB Renato Purini também deixa claro que o nível de degradação da área são essenciais para a decisão final. O parlamentar ressalta ainda que o município não pode ter prejuízo nesse processo de adequação da Lei do Cerrado: “ Nós temos que levar essa discussão não só na questão da adequação da lei, mas também para compensações ao município. Nós precisamos discutir formas de compensação ambientais ou forma de compensação econômicas a Bauru”. Purini salientou, ainda, a explosão do custo do terreno, deflagrada pela Lei do Cerrado. Segundo o parlamentar, os proprietários superfaturam as áreas que não possuem a mata nativa de Cerrado, visto que a tendência é que a demanda só cresça, principalmente em um município com tamanha cobertura urbana de Cerrado: “Caso haja o impedimento da instalação das empresas nessas áreas, a Prefeitura pode procurar outros espaços para que essas empresas se desenvolvam. Mas justamente pela rigorosidade da lei em áreas degradadas, as áreas de Bauru, hoje, são muito caras. Os proprietários pedem R$ 60 o metro quadrado. Está muito acima do que o município pode pagar. Essa lei fez com que os valores de terra explodissem.”

A SOS Cerrado Bauru, ONG criada para auxiliar na proteção do bioma, é uma das associações atenta para situação alarmante de conservação do Cerrado. A partir da realização de palestras, e das denúncias, a SOS Cerrado procura desempenhar o papel de contenção do desmatamento do Bioma. Amilton Sobreira, presidente da ONG, atentou para a caducidade da concessão dos terrenos, uma vez que as empresas, segundo constata, tem um prazo para se instalar. Prazo esse que já teria passado.

Conforme determina a legislação ambiental, o desmatamento de qualquer terreno com a mata nativa de Cerrado deve ser compensada com a criação de reserva ambiental quatro vezes maior que a área devastada. Amilton Sobreira, no entanto, discorda , uma vez que “na realidade essa compensação é fictícia. Mesmo que haja a criação de uma área quatro vezes maior, não é o mesmo bioma Cerrado. Onde que você vai ‘comprar’ o bioma se há apenas 0,84% em todo estado?”. Sobreira, ainda, afirmou que essas áreas tem um alto interesse imobiliário e o desmatamento do Cerrado do local acenaria para a possibilidade de privilégios de grupos “que estão se desenvolvendo financeiramente”. “Uma das coisas que suspeitamos é que estão querendo fazer condomínio de luxo no local”, completou Sobreira.





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

IPTU Progressivo esbarra em um voto

Câmara municipal nega proposta de lei por falta de maioria qualificada de votos


                                                                                                         Pedro Pie

A Câmara dos Vereadores de Bauru votou, no dia 22 de agosto, a nova lei proposta pelo vereador Roque Ferreira (PT) em conjunto com Fabiano Mariano (PDT), Roberto Segalla (DEM) e Carlão do Gás (PR) que instituiria o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) progressivo para o município.

Caso aprovada, a lei aumentaria todo ano o IPTU de terrenos do centro e da zona sul de Bauru que não estejam cumprindo sua função social. A cada nova taxa cobrada, o proprietário de um imóvel nessas condições teria que pagar o dobro da anterior, até que finalmente chegue ao teto de 15% do valor do imóvel. Após cinco anos, caso a função social ainda não esteja sendo cumprida, os donos poderão ser desapropriados e pagos em títulos da dívida pública do município.

Em São Paulo, o IPTU progressivo já está valendo e tem como principal objetivo acabar com a especulação imobiliária para revitalizar lugares históricos como o centro da capital. Em 2002, a mesma lei já havia sido aprovada pela câmara paulistana, mas saiu de vigor no mesmo ano quando o extinto Tribunal de Alçada, por unanimidade, deu causa ganha a Edison Maluf em um recurso do próprio contra a cobrança progressiva. Na época, a lei foi entendida inconstitucional pois desiguala as cobranças públicas.

Já este ano a decisão legal foi outra. Após o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), propor novamente a lei e ter tido apoio de toda a câmara de vereadores, o STF, ao julga-la, considerou-a de acordo com a Constituição Brasileira. Segundo Carlo Napolitano, professor de legislação pela UNESP, está previsto na legislação do país a cobrança progressiva do IPTU pelos municípios.

Em Bauru a discussão foi diferente. Além de não ter sido proposta pelo Executivo, a lei não teve apoio de todos os vereadores como na capital, apesar de contar com a maioria deles. Em todo o caso, a mesa diretora entendeu que o projeto precisava da maioria qualificada (dois terços) dos votos, a qual não foi atingida por um.

Para o vereador Moisés Rossi, contrário na votação, o conceito de função social não ficou claro durante a Assembleia, o que tornaria questionável a decisão de quais terrenos deveriam pagar a alíquota progressiva e quais não. Além disso, critica que as únicas áreas que tenham sido escolhidas para a aplicação da lei sejam a zona sul e o centro. Já Roque Ferreira acredita que a lei trará inúmeros benefícios à cidade e entrou com um recurso contra a decisão da mesa diretora.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Bauru será sede de nova universidade federal

Campus do IFSP será construído na cidade até 2014

Amanda Melo

Dilma Rousseff e Daniel Iliescu, presidente da
Une, anunciam expansão da Rede Federal.
(Foto: Roberto Sutckert Filho/Presidência da
República Federativa do Brasil)
Bauru é uma das oito cidades do Estado de São Paulo selecionadas para receber novo campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). A decisão foi anunciada no dia 16 de agosto pela presidente Dilma Rousseff e pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, e faz parte do programa governamental que pretende expandir a Rede Federal de ensino. 

O IFSP é organizado em estrutura multicampi, e atualmente conta com 25 campi espalhados por todo o estado, com cerca de 15 mil alunos matriculados. O Instituto, que recentemente passou a ter a relevância de universidade, destaca-se por oferecer ensino público gratuito de qualidade. 

No último mês, a vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro, reuniu-se em Brasília com o secretário executivo do Ministério da Educação, José Henrique Paim Fernandes, com o intuito de discutir os detalhes do projeto para a construção do IFSP, como por exemplo o tempo que levará para ficar pronto. Estela afirma que “o prazo máximo para entrega dessas unidades novas dado pela presidente Dilma, através da Casa Civil e do Ministério da Educação, é de 2014”. 

A localização do Instituto ainda não foi definida, mas sugestões estão sendo levantadas e analisadas. “Eu fiz reuniões com a Secretaria de Planejamento e outros técnicos. Várias áreas já estão sendo levantadas, algumas plenamente possíveis de transmissão de propriedade imediata para a União e algumas outras áreas sendo sugeridas”, afirma a vice-prefeita. 

O IFSP já possui um pacote básico de cursos técnicos e também de licenciatura, sobretudo nas áreas de Ciência e Matemática. Após a escolha do terreno e a assinatura do contrato com o governo, será aberta audiência pública para definir os cursos que serão contemplados inicialmente. O processo seletivo será feito pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU).  

A construção da nova universidade em Bauru faz com que os estudantes tenham, além de UNESP e USP, ainda mais opções de cursos superiores gratuitos e de qualidade. “Existem ótimas universidades federais no Estado de São Paulo, mas não tão próximas quanto a gente precisa. Acho que vai ser legal porque Bauru é uma grande potência estudantil”, comenta Nicolle Xavier, aluna do cursinho pré-vestibular Principia, projeto de extensão da UNESP.

Acesse o site do IFSP para obter mais informações e esclarecer dúvidas.

sábado, 2 de julho de 2011

Jovem de 19 anos é suspeito de assaltar e deixar vítimas sem as roupas

Assaltos que deixam as vítimas nuas têm sido frequentes na região do Bauru Shopping, assustando os moradores.
Amanda Melo

Jhonaik Botin foi detido pela Base de Segurança Sudeste da Polícia Militar de Bauru no dia 9 de junho, suspeito de ter participado em pelo menos dois casos de assaltos que terminaram com as vítimas nuas.

Uma das vítimas acionou a polícia após reconhecer o rapaz, que andava pelo bairro Jardim Carolina. Jhonaik foi levado ao Plantão Policial e as possíveis vítimas foram chamadas para reconhecimento. Uma delas é um estudante de 15 anos, abordado no dia 26 de maio próximo ao Hospital de Base. Ele foi obrigado a tirar as roupas e pular de uma ponte de cerca de cinco metros de altura por um indivíduo armado com uma pistola. Entre as demais, estavam quatro jovens entre 14 e 16 anos assaltados próximos ao Bauru Shopping.

O suspeito não foi apontado como autor do crime pelo estudante, mas foi reconhecido por duas das vítimas do segundo caso citado.

“Essa parte de polícia judiciária, quem toca é a Polícia Civil. A gente conduziu ele, foi atrás das vítimas, ele foi reconhecido, e aí a Polícia Civil decretou a prisão temporária. Se eventualmente chegar a informação de que mais alguém aqui da nossa área esteja envolvida, a gente vai atrás. Mas a partir do momento que a gente entregou o preso para a Civil, a parte de investigação para ver se aquele indivíduo está envolvido em outros crimes, a gente não fica mais correndo atrás”, afirma o tenente no comando da Base Sudeste da Polícia Militar, Tiago dos Santos.

Ainda é preciso aguardar o resultado das investigações a respeito do envolvimento de Botin nos casos.

Violência na região do shopping

Outros crimes semelhantes têm ocorrido na região sul da cidade. No dia 5 de junho, um jovem teve seus pertences e roupas levados por dois assaltantes próximo à quadra 12 da Rua Henrique Savi. E apenas um dia depois, um rapaz sofreu o mesmo tipo de abordagem na região do Aeroclube de Bauru.

O grande número de assaltos próximos ao shopping tem assustado moradores e frequentadores da região. “Já fiquei sabendo de sequestros relâmpagos aqui na região, assaltos a adolescentes saindo do shopping. Deveria ser bem melhor a segurança aqui”, ressalta Débora de Alcântara Capelin, que trabalha como recuperadora de crédito no shopping.

Além dos trabalhadores, muitos estudantes que moram na região sentem-se ameaçados e precisam ser cautelosos nas ruas. É o caso de Julia Ferreira, estudante de Biologia da Unesp, que destaca a necessidade de maior patrulhamento durante a semana: “O que eu mais vejo de polícia é de sexta-feira e sábado. No meio da semana não tem muito”, comenta Julia.

Vereadores aprovam inchaço na Câmara de Bauru

Isis Rangel

O impasse pelo aumento ou não do número de vereadores na Câmara de Bauru teve término na segunda, dia 20 de junho. Depois de diversos debates e manobras dos vereadores, foi decidido que a partir de 2013 o número de parlamentares será de 17 em oposição aos 16 que constituem o quadro do Legislativo municipal atualmente.
Os vereadores defendem que o aumento é necessário para acabar com a questão do super-voto do presidente da Casa. Como o número de parlamentares era par, quando ocorria empate nas votações, o presidente votava pela segunda vez, constituindo o super-voto.
Mesmo com a aparente unanimidade da decisão, havia vereadores favoráveis a manutenção das 16 cadeiras no Legislativo, como o vereador Fernando Mantovani (PSDB), ou da diminuição para 15, como Amarildo de Oliveira (PPS).
Além disso, o projeto, que deveria ter sido aprovado na sessão do dia 13, foi adiado devido a uma manobra promovida por um grupo de parlamentares.
Vereadores de partidos pequenos queriam promover um inchaço maior na Câmara – para 21 ou 23 cadeiras -, visando maior representatividade de seus partidos no próximo pleito municipal. Assim, o vereador Pastor Luiz Barbosa (PTB) pediu para que uma das emendas do projeto fosse avaliada pelas Comissões internas da Casa.
Apesar disso, a votação foi adiada por uma semana apenas e voltou à pauta na sessão ordinária do dia 20. O projeto de lei foi aprovado por unanimidade pelos 15 vereadores presentes na sessão, ignorando os protestos da população que é abertamente contra o inchaço da Câmara.
Com o aumento de uma cadeira, o gasto anual da Casa aumenta para, em média, R$ 170 mil reais, incluindo os custos com o novo vereador e seus dois assessores. Desse modo, fica óbvio, mais uma vez, que os vereadores bauruenses pouco se importam com os desejos da população que representam.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Alunos da Unesp de Bauru se mobilizam para melhoria da universidade

Estudantes do câmpus da Unesp de Bauru têm realizado atos para manifestar seu descontentamento diante dos problemas da universidade.

Amanda Melo

O primeiro semestre de 2011 foi marcado por uma série de manifestações realizadas por estudantes da Universidade Estadual Paulista, câmpus de Bauru, com o objetivo de, entre outros, evidenciar as principais falhas que notam na qualidade da formação universitária e os problemas de utilização da verba pública.

Estudantes de Jornalismo, por exemplo, recorreram ao Centro Acadêmico de Comunicação Florestan Fernandes (CACOFF) em busca de melhorias no curso. No dia 3 de maio, a RAC - Reunião de Análise de Curso -, reuniu representantes de todos os termos para que todas as reclamações fossem reunidas e discutidas. Segundo o representante do CACOFF e aluno do quarto ano de Jornalismo, Gabriel Maia Salgado, o que moveu a atitude foi uma série de descontentamentos em relação a professores, critérios de avaliação e à qualidade do curso. “O protesto é para evidenciar os problemas que não são falados e mostrar aos outros anos de Jornalismo qual é a realidade do curso da Unesp.”, afirma.

Depois da RAC, uma assembleia foi convocada em 11 de maio para dar direcionamento às queixas e decidir como o Centro Acadêmico agiria. A divulgação do encontro foi feita por uma série de cartazes espalhados pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) com frases que diziam respeito a atitudes inadequadas dos professores, segundo a visão dos alunos. “O tipo de cartaz que eles fizeram pode se classificar como ofensivo e eles estão passivos de processo por calúnia, difamação e injúria, se algum dos docentes quiser fazer.”, comenta o professor e vice-coordenador de Jornalismo, Ângelo Sottovia Aranha, sobre o assunto.

Como resultado da assembleia, um abaixo-assinado foi feitocom todas as reivindicações dos alunos e reuniu cerca de 200 assinaturas. O documento foi protocolado na última semana e cópias foram entregues à chefe do Departamento de Comunicação Social, Letícia Passos Afini, ao coordenador do curso, Prof. Pedro Celso Campos e ao vice-chefe do Departamento de Ciências Humanas, Zeca Marques.

Resta aos alunos aguardar por um posicionamento dos chefes de departamento e do coordenador do curso.

Movimento Estudantil

O Movimento Estudantil vem realizando atos que têm como embasamento o mau uso da verba pública. Um desses atos foi motivado pela indignação dos estudantes a respeito do ônibus da Unesp. Os alunos participariam do Conselho das Entidades Estudantis da Unesp e Fatec, ocorrido entre os dias 21 e 22 de maio em Botucatu. Porém, o Grupo Administrativo do Campus de Bauru (GAC), negou que eles utilizassem o ônibus para tal fim.

Segundo Roberto Deganutti, atual diretor do GAC, o veículo é regido por um regulamento que, apesar de ter sido instituído por uma comissão formada próprio GAC, é respaldado na Portaria de Transporte da Unesp. Portaria que restringiria o uso do mesmo para fins exclusivamente didáticos. Para tanto, seria necessário ainda que um professor permanecesse com os alunos durante todo o evento e que os custos da viagem fossem bancados pelo departamento do docente. “Somos subordinados a umalegislação maior e temos que cumprir os trâmites que a reitoria nos impõe”, alega Deganutti. De acordo com o DACEL, um ofício enviado à Reitoria pedindo a liberação do ônibus não foi respondido.

Outro ato que merece destaque foi motivado pela indignação dos alunos diante do gasto de R$13000,00 para a construção de uma ponte e de um lago com carpas na cantina da FEB (Faculdade de Engenharia de Bauru). O Diretório Acadêmico afirma que há outras prioridades a serem contempladas com essa verba.

Outras questões levantadas pelos estudantes são a falta de um Restaurante Universitário subsidiado pela Reitoria que forneca alimentação de valor baixo e acessível a todos, a falta de moradias suficientes para abrigar os alunos e ainda a quantidade insuficiente de Bolsas de Auxílio Acadêmico e Extensão (BAAE).

Segundo o DACEL, o que se espera são ações que realmente concretizem as pautas do Movimento Estudantil.



FOTO 1 – Fonte: CACOFF – Cerca de 40 alunos de Jornalismo compareceram à entrega do abaixo-assinado aos chefes de departamento e ao coordenador do curso.

FOTO 2 – Fonte: CAPSI – Ato “Busão dos estudantes” ocorrido em 19 de maio.

FOTO 3 – Fonte: CAPSI – Cartazes mostraram o descontentamento dos estudantes na ponte construída na cantina da FEB.

Links:

CACOFF: http://cacoffunesp.blogspot.com/

CAPSI: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001775386245&sk=wall

DACEL: www.dacelunespbauru.blogspot.com