Mostrando postagens com marcador Novo Código Florestal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Novo Código Florestal. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de junho de 2011

NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO GERA DISCÓRDIA E PEDE ESCLARECIMENTOS

Pedro Pie
O novo Código Florestal brasileiro foi recentemente votado e aprovado na Câmara dos Deputados em Brasília. Apesar de toda a polêmica que ele causou seu relator, o Deputado Federal Aldo Rebelo (PC do B – SP), afirma ter tentado conciliar a questão ambiental com os interesses econômicos de áreas rurais.
Os interesses não parecem estar conciliados, muito menos os ânimos apaziguados. Além da guerra entre ambientalistas e ruralistas, o novo código foi motivo para brigas entre a Presidenta e seu vice. O governo e toda sua base aliada defendem leis mais severas no que diz respeito ao meio ambiente, mas como fica o PMDB nessa história? O partido formado por grandes proprietários de terra e donos de grande parte da Bancada dos Ruralistas na Câmara não podia concordar com isso. Aliás, vale lembrar que o PT não era exatamente próximo do partido de Temer, mas a parceria valia a pena para ambos os lados na corrida presidencial no ano passado. Agora, se já não era suficiente o racha na oposição, o Brasil assiste a outro na situação.
Já que falamos nela, talvez essa seja a primeira vez desde o início do ano que os tucanos e seus aliados conseguem afrontar de alguma forma o PT; isso e a CPI para investigar Palocci. Mas a afronta parece ter sido um pouco impopular. A mídia internacional classificou as leis brasileiras como retrógradas e a opinião pública não parece ter gostado muito da votação, basta abrir o facebook para ver alguém divulgando uma passeata contra a decisão da Câmara.
Um dos pontos mais polêmicos do código é a isenção da reserva legal para pequenos proprietários. Para os grandes, as reservas permaneceriam como estão – 20% para a Mata Atlântica, 35% para o Cerrado e 80% para a Amazônia. Em contrapartida, essas porcentagens poderiam ser diminuídas pelos Estados da União, pois o âmbito federal, segundo o texto aprovado pelos deputados, deixaria ao estadual o poder sobre esse assunto. Outra polêmica é a anistia prevista para todos aqueles que desmataram até julho de 2008. O código também chegou a citar a diminuição das Áreas de Preservação Permanente (APP’s), como a mata ciliar e a vegetação em topos e encostas de morros, mas cedeu devido aos protestos de ambientalistas.
Dilma promete vetar alguns dos artigos acima citados, em especial o que transferiria aos Estados a questão das reservas legais. Além de não querer perder o poder sobre o assunto, o Planalto vem sofrendo pressões por todos os lados para fazer um Código Florestal mais verde. Não bastasse a mídia internacional e a opinião pública, um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente se reuniu para apresentar à petista uma carta de protesto ao novo código.
Fora isso, a próxima Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável será a “Rio+20”, realizada na própria cidade maravilhosa. Como poderia nossa primeira presidente, sucessora do primeiro operário a subir ao poder, do “país do futuro”, com vastíssimas riquezas naturais e que sediará um evento da Organização das Nações Unidas feito para se discutir o meio ambiente assinar um conjunto de leis florestais que muitas dessas outras nações consideraram velho e antiquado.
Por outro lado, deixar a decisão a cabo de ambientalistas, somente, pode ser prejudicial. A agropecuária ainda tem um papel muito importante em nossa economia e em nossas vidas, tanto que uma das ameaças dos ruralistas é que, se o código restringir muito a produção, o abastecimento nacional não será fornecido por inteiro e a alimentação da população poderá mudar rapidamente. Como exemplo, eles dizem que o arroz-feijão pode vir a ser comida de rico.
O novo código ainda precisa passar pelo Senado e depois pela aprovação da presidente. Enquanto isso, ambos os lados pretendem aumentar sua participação nessa decisão tão importante.

domingo, 5 de junho de 2011

“Sobre formigas e cigarras” - O Caso Palocci

Isis Rangel

Há vinte dias o governo Dilma sofre com a crise desencadeada pelo súbito enriquecimento do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

Na edição do dia 15 de maio, o jornal Folha de S. Paulo mostrou que o patrimônio do ministro aumentou 20 vezes nos últimos quatro anos, período em que era deputado federal. Sua empresa, a Projeto Consultoria, faturou 20 milhões no período, metade deste valor nos últimos dois meses de 2010, quando Palocci era um dos coordenadores da equipe de transição do governo Dilma. Por isso, há a suspeita de tráfico de influências, tornando o episódio mais uma oportunidade para a oposição tentar desestabilizar o governo.

Além disso, PT e PMDB se desentenderam devido a uma suposta ligação de Palocci ao vice-presidente Michel Temer, ameaçando os deputados que não votassem junto com o governo na proposta do novo Código Florestal.

Para aumentar a crise, sabe-se que dentro do próprio PT há desafetos antigos do ministro que aproveitam o episódio para tirá-lo do poder de vez. Assim, Palocci tentou se proteger mantendo o silêncio, mas nos últimos dias, sua situação ficou insustentável. Além de grupos políticos usarem o apoio a Palocci como moeda de troca - fato que ocorreu no veto ao kit anti-homofobia do MEC pela presidente Dilma -, na última quarta, a oposição conseguiu aprovar a convocação de Palocci na Câmara. O presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS) anulou a convocação de Palocci, mas a oposição prepara uma ofensiva ao Superior Tribunal Federal para garantir a convocação do ministro.

Pressionado, Palocci cedeu entrevista ao Jornal Nacional e a Folha de S. Paulo para tentar se explicar, mas não foi bem-sucedido. Para agravar a situação, reportagem da revista Veja desta semana, mostra que o apartamento que o ministro aluga, em São Paulo, seria de uma empresa administrada por laranjas.

Nos bastidores do Planalto, há informações de que Dilma não achou as explicações satisfatórias e há quem diga que o ministro está prestes a deixar o governo, mais uma vez.

Assistam a entrevista feita pelo Jornal Nacional:
1ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=2lfJbWHfcV0&feature=player_embedded
2ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=iuXfpW9HoZY&feature=player_embedded